Tuesday, September 26, 2006

Tô tentando!


Não sou tão esforçada como a mãe da Raquel diz que ela é (e ela realmente é), nem tão disciplinada como os japoneses, mas ainda não perdi a esperança de aprender essa língua complicada.

Tô tentando. Foram várias tentativas nesses dois anos e não sei quantos meses no Japão e, hoje, vou tentar outra vez. Para quem duvida que eu tentei, olha a lista de tentativas aí:

1ª - Luziana Lanna (em Belo Horizonte/MG)

Primeiro semestre de 2003, um ano antes de vir para o Japão. Nessa escola - caríssima, por sinal - aprendi a falar "Meu nome é Karina", "Sou brasileira", contar até 10, entre outras coisinhas, e a escrever as primeiras letrinhas em japonês (hiragana).


2ª - Associação Internacional de Kawasaki

Fui com a Raquel nessa Associação, perto de onde a gente morava. Isso foi no início de 2004. Parecia muito interessante, porque as escolas de japonês são caríssimas e lá as aulas são gratuitas. Desistimos na segunda aula. O meu professor (voluntário) era tão velhinho, tão velhinho que nem em português eu entenderia o que ele fala.


3ª - Language Exchange

O Osny me apresentou à Mai, uma japonesa que sabe um pouco de português e queria fazer amizade com brasileiros. Em troca, ela poderia ensinar japonês. A gente não estudou nada! Mas nos tornamos grandes amigas : )


4ª - Auto-didata

Resolvi, então, estudar sozinha. Comprei um monte de livros. Não passei da terceira página de nenhum...


5ª - Amigos japoneses

Fiz muitas amizades. Mas, coincidência ou não, meus amigos japoneses falam português, inglês ou espanhol. Os que falam só japonês não são tão amigos assim.


6ª - Escola de Línguas de Shinjuku

Essa escola aí é super famosa em Tokyo. A Sílvia, por exemplo, que sabe japonês que nem os japoneses, aprendeu lá! A diferença é que eu só podia fazer aula uma vez por semana e quem aprende pra valer estuda pra valer: todos os dias! Saí de lá, não porque desisti, mas porque me mudei pra Nagoya.


7ª - Kumon

O método Kumon força a gente a estudar sozinho e apesar de parecer uma lavagem cerebral, acho que funciona. Especialmente, para quem quer aprender a ler e escrever. Não continuei porque tinha que economizar. Estava pagando a escola de Shinjuku e o Kumon ao mesmo tempo.


8ª - Namorado japonês

O namoro só durou três meses : (


9ª - Aula particular

Em Nagoya, minha primeira providência foi arranjar uma professora de japonês. Duas aulas por semana. Eu estava adorando e acho que aprendi bastante mas, dois meses depois, voltei para Tokyo.


HOJE

Associção Internacional de Shinagawa. Dica da Gisele. Será minha 10ª tentativa. Apesar de ser uma associação para estrangeiros - que geralmente oferecem cursos horríveis - parece ser legal. Acho que os professores são professores de verdade e nem tão velhinhos quanto àquele voluntário lá de Kawasaki. São duas aulas - de duas horas cada - por semana. Será que agora vai? Ou racha de vez?

Saturday, September 23, 2006

A Madonna confessou em Tokyo


Have you confessed?

A Madonna sim. As confissões dela começaram com uma hora de atraso - 55 minutos, na verdade - duraram duas horas e ficaram na história. Pelo menos na história da minha vida e de todos os outros que estavam lá, dia 20, no Tokyo Dome. Umas 80 mil pessoas? Não sei. É só um palpite.

Não levei cartaz - como imaginou o Caruso - nem dei chilique de fã, mas confesso que fiquei emocionada e empolgadíssima sim. Passei o dia inteiro ouvindo Confessions on a Dance Floor, procurando vídeos dessa nova turnê no YouTube.com e pensando "com que roupa eu vou?".

Pensei tanto que fui com a roupa de sempre. Nem usei as pulseiras roxas e brilhantes, que comprei semanas antes especialmente para ir a esse show. Lá, me arrependi. Fiquei morrendo de inveja das meninas com blusas estilizadas e sapato boneca roxo (ou rosa) exatamente como o que eu queria ter comprado.

No problem, pensei. Quem tem que "arrasar Tokyo" é a Madonna, não eu.

E ela arrasou, claro. Não só no figurino, na produção, na performance, na simpatia, no carisma, no improviso e até no japonês. Falou konbanwa (boa noite) e genki desu ka? (tudo bem?), sem sotaque de gringo. Desceu do palco, brincou com os fãs, usou playback sim - e daí? - tocou guitarra e, aos 48 anos, dançou como se tivesse 20.

Quem esperava Holiday, como o Gustavo, ou Vogue, como o Tomoya, teve de se contentar com Like a Virgin, La isla Bonita, Lucky Star, Music, Erotica, Live to Tell... Mas os meninos não ficaram tristes. Afinal, teve bola gigante, cruz e dança com cadeira (ai que saudade de Keep it Together), como ela e a gente adora.

Eu também queria mais. Duas horas de Madonna é muito pouco. Mas é muito bom!

Dá uma vontade louca de dançar - antes, durante e depois do show. E ainda deixa a gente mais admirada: que mulher poderosa! Nem tão bonita, nem tão boa cantora, como diz o Kevin, mas com um poder incrível de encantar e arrastar uma multidão, ganhar dinheiro, fama, respeito e de ser a rainha do pop durante tanto tempo.

Palmas para ela!

Quem não viu a Madonna - ou quem viu e queria ver de novo, como eu - devia dar uma bisbilhotada no YouTube. É só digitar Madonna + Confessions e procurar por cada pedacinho do show. Foi mais ou menos nessa seqüência:


Future Lovers

Like a Virgin

Get Together

Jump

Sorry

Live to Tell

Isaac

Forbidden Love

I Love New York

Ray of Light

Substitute for Love

La isla Bonita

Music

Lucky Star

Hung up

Wednesday, September 20, 2006

Madonna: é hoje!


A Madonna aqui, pertinho de mim, e só no site do Globo, lá do Brasil, eu soube que ela esteve ONTEM numa Louis Vuitton daqui de Tokyo.

Snif, snif, snif...

Ela foi lá para abrir uma exposição de fotos dela e exibir o novo visual: loiríssima, de corte chanel.

Perdi a chance de tietar, mas não vou perder o show daqui a pouquinho.

Êeeee!

Tuesday, September 19, 2006

El Japón de ellos es así...


No Dia do Blog, eu não cumpri a promessa de indicar 5 blogs legais aqui no Meu Japão. E ainda esqueci de contar que deixei de cumprir a promessa de propósito, simplesmente, porque seria uma "saia justa" fazer essa seleção.

Nem sempre os melhores blogs são os dos melhores amigos e eu não saberia não misturar as coisas. Mil desculpas!

Mas agora, por acaso, encontrei uma saída e espero que eu seja perdoada.

Conheci 5 blogs muito legais, escritos em espanhol por três peruanos, um uruguaio e um argentino (na foto) radicados no Japão. Na verdade, a peruana já voltou ao Peru. Mas, como eles adoram dizer, no importa...

Além de ser um jeito divertido de aprender espanhol (ou tentar, pelo menos), é uma oportunidade de ver o Japão (ou o Peru, no caso da peruana) com olhos que não sejam brasileiros.

Para quem não sabe nada de espanhol, não se preocupe. É muito fácil. Eu - que nunca estudei espanhol, mas estou craque no "portunhol" - tenho algumas dicas:

1 - Troque o "R" de lugar. Ex: em vez de apertado, diga apRetado

2 - Viole a gramática. Ex: em vez de maior, diga más grande

3 - Inverta os significados das palavras. Ex: se quiser dizer apelido, diga sobrenome. Se quiser dizer sobrenome, diga apelido.

(Brincadeirinha, pessoal, eu acho lindo o idioma de vocês!)


Oops, quase me esqueço de indicar os blogs:

Perú a Ciegas, de Angelica Camacho

White Room, de Enrique Balducci (não me perguntem porque o nome não está em espanhol)

Métele Cabeza, de Roger Hiyane

Dantada, de Daniel Yara (Xii, não sei o que significa Dantada...)

Tokyo Graphics, de Julio Shiiki (também não tenho idéia porque o nome não está em espanhol)

Monday, September 18, 2006

Cuidado com o louco!


É injusto reclamar da (falta de) segurança no Japão. Especialmente quem mora em Tokyo não tem medo de assalto, seqüestro, bala perdida, nada disso. Só de tarado - que corre se a vítima gritar - e de louco.

Hoje eu vi um louco e fiquei com medo. A sorte é que ele também ficou com medo de mim. E correu! Ufa! Só percebi que o tal louco era louco quando a gente se encontrou pela segunda vez.

Eu estava voltando feliz e sorridente para casa, 5 minutos atrás, quando vi o louco correndo em minha direção. Mas ele logo virou numa rua à minha esquerda, antes de passar muito perto de mim. "Que engraçada a roupa desse cara. Parece que ele tá pelado", pensei, crente que era um tiozinho com um colã cor-da-pele grudado no corpo.

Quanta ingenuidade!

O tiozinho - que, aliás, deve ser bem mais jovem do que imaginei à primeira vista - estava pelado sim! Sem blusa, sem calça, sem cueca, sem nada! Só percebi isso quando ele terminou de dar a volta (suuuuuper rápida) no quarteirão e saiu da outra rua que cruzava o meu caminho.

Ele correu tão rápido, que nem tive tempo de me assustar. Olhei para trás para verificar se o louco era ele ou eu e vi o japonês peladão se escondendo atrás de uma máquina de bebidas - que a gente encontra em tudo quanto é canto daqui.

Não sabia se ria ou se corria. Então, acelerei o passo para chegar em casa logo e escrever esse post :-)

E o que essa foto tem a ver com o louco? Nada. É só o pôr-do-sol que vi hoje, da janela do prédio onde eu trabalho. Nem sei quem abriu a cortina e descobriu essa maravilha, mas peguei a câmera correndo e a prova está aí. Lindo né?

Desculpa, pessoal, eu não tenho foto do louco...

Sunday, September 17, 2006

Curtas


1) A Madonna já está no Japão! Nesse final de semana, ela fez show em Osaka e na quarta-feira, às 19h, ela vai estar lá no Tokyo Dome. Eu também! Já negociei com a chefe: quarta-feira será meu dia de folga :D

E, ontem, passeando em Ginza (o tal bairro chiquerésimo de Tokyo) com a Mai, olha o que eu encontrei: esse DVD do show da Madonna na Itália, em 1988. Esqueci que estou em contenção de gastos e comprei. Esse show é D-E-M-A-I-S.



2) Eu e a Mai fomos ao Festival Cinema Brasil 2006, lá no Fórum Internacional de Tokyo. Ela escolheu Olga. Eu aprovei. Logo que terminamos de assistir ao filme, ela que é japonesa e adora o Brasil perguntou:

- Por que todos os filmes brasileiros (pelo menos os que passam aqui no Japão) são tristes? Não entendo. Se os japoneses gostam do Brasil e dos brasileiros por causa da alegria, do samba, do futebol...



3) Se eu falasse japonês não teria ficado com vontade de chorar, nem teria sido tão venenosa com o atendente-robô da Tsutaya. Depois da dica da irmã da leitora Shigeko, aluguei outros dois DVDs, lá pelas tantas da noite, e falei pro mocinho que queria devolver no mesmo dia.

Mas, antes, perguntei: posso devolver até que hora? Ele explicou que até às 10h da manhã do dia seguinte ainda é "o mesmo dia". A gente deixa os DVDs numa caixa de correio que tem na porta da loja...

Muito burra, eu! Aliás, burra não. Só analfabeta, "surda" e "muda" :-)

Thursday, September 14, 2006

Todo mundo de pijama


Não. A leitora-modelo Shigeko não está doente. Nem estava. Ela apenas foi fazer um check up de rotina. Eu também fui. E tive que "pagar esse mico" junto com ela.

Na hora da foto, a sala de espera da clínica estava vazia. Mas enquanto a gente esperava, a sala encheu. Não tirei foto da sala cheia porque a Shigeko não deixou: "Você quer ser presa?", brincou. Com medo dela estar falando sério, resolvi me contentar com a foto da sala vazia.

É uma situação meio constrangedora. Uma sala grande, com sofá para muitas pessoas, um monte de revistas e uma televisão. Ali, você encontra mocinhas, mocinhos, senhoras, senhores, todos de pijama (ou roupa de doente, como preferir).

Só tem uma diferença. Duas, aliás: para elas, pijama verde com detalhes cor-de-rosa. Para eles, pijama verde com detalhes marrons. Chinelos vermelhos para elas. Chinelos marrons para eles.

Mais esquisito é o atendimento "em série". Uma série de pacientes passa por uma série de exames. Nunca vi isso no Brasil. Será que existe?

Tem um mocinho para medir a altura e o peso. Ele também dá o copinho do exame de xixi. Depois, o paciente espera num sofá até a mocinha do exame de vista chamar. Mais que esquisito, é divertido. A fila de pacientes vai passando pelas salinhas de exame. Todo mundo começa e termina praticamente juntos.

Tem ainda as salinhas de medir pressão, verificar audição, eletrocardiograma e raio-x do pulmão. No final, um médico fala que aparentemente está tudo bem e que o resultado final será enviado pelo correio.

A gente se sente como uma peça de um aparelho eletrônico qualquer, passando por uma esteira dentro da fábrica. Fiquei impressionada com esse jeito super automático de checar a saúde da gente. Mas concordo que o sistema é super prático. E espero que seja confiável.