Monday, November 13, 2006

Churrasco nipo-brasileiro



"Eu nunca comi comida brasileira", disse a minha professora de japonês na aula passada. Aproveitei o intervalo e convidei: "pessoal (incluí os alunos, claro), vamos juntos comer comida brasileira?

A professora ficou animadíssima. Até esticou o intervalo para encontrar uma data propícia para (quase) todos nós. Ela também convidou a nossa outra professora de japonês. Depois de muita conversa e ligações (em japonês, para o meu desespero), marcamos.

As duas professoras - Yamazoe e Koizumi - o chinês Xiaojun Zhang, a chinesa Yin Xingzhe, a filipina Lili, o peruano Yvan Llave e eu nos encontramos ontem (domingo) às 11h20 da manhã, perto do restaurante. Elas escolheram esse horário aí. Se fosse eu, sugeriria 13h. Talvez, 14h. Mas não reclamei, só achei divertido e fui dormir cedo no sábado para não me atrasar (mesmo assim, cheguei atrasada. E essa história fica pra outro post).

Escolhi o restaurante mais bonito, mais organizado e mais apropriado para levar amigos estrangeiros, especialmente, japoneses. Esse é adaptado ao gosto do freguês e por isso (e talvez pelo preço) tem mais japoneses do que brasileiros lá. Não só nas mesas, mas também no balcão, na cozinha e entre os garçons.

O cardápio é trilíngüe: japonês, inglês e português. Acho que nessa ordem de importância, pois a clientela brasileira é minoria. A comida também não é só brasileira. O churrasco é nota 10 - apesar de menos salgado do que o "normal", para não espantar os japoneses. Tem feijoada, farofa e até coxinha...

... mas o arroz é à moda local - grudado e sem tempero - e no bufê de salada, tem coisas que muitos brasileiros nem sabem que existe. Alguém aí já comeu goya? Pois é, tem goya lá. É uma espécie de pepino que amarga mais que pé de jurubeba, como diria meu pai.

A professora Yamazoe ficou encantada com o rodízio de churrasco e não recusava nada: picanha, cupim, frango, lingüiça... E repetia toda hora: "oishii" (gostoso). Mas morri de rir foi da professora Koizumi. Ela adorou o abacaxi assado. Comeu, pediu mais e até quis tirar foto perto do espeto de abacaxi.

Difícil era eu explicar o que era costume brasileiro e o que não era. Afinal, a garçonete perguntou o que a gente queria beber depois da refeição: chá quente ou gelado, suco de laranja (de caixinha, para a minha tristeza), café quente ou gelado? E, para a minha diversão ninguém votou no café quente, como os brasileiros costumam fazer. O mais pedido foi o chá e, em segundo lugar, o café gelado. Cruzes!

Mas no cardápio também tem caipirinha e guaraná. Autênticos! E insisti para que todos experimentassem, com duas ressalvas: o guaraná é muito doce e a caipirinha é muito forte. Gostaram mais da caipirinha. Percebi que o guaraná não fez muito sucesso. Eu aprovei os dois, como uma autêntica brasileira.

Foi um almoço muito divertido. Fiquei feliz porque todos pareciam felizes e não paravam de elogiar e agradecer pelo convite. Foi uma ótima aula de japonês também, pois combinamos que era proibido falar em chinês, inglês, espanhol ou português. Conseguimos, mas com muito esforço, muitas risadas e muita mímica!

Depois, fomos passear nas redondezas - o restaurante fica no chiquerésimo e lindíssimo bairro Omotesando - e ainda visitamos um templo muito famoso, lá perto. Rezamos, vimos criancinhas de quimono e até uma noiva sendo fotografada com a família, com roupas e rituais como manda a tradição.

O próximo almoço da turma será num resturante peruano. Depois num chinês, num filipino, num japonês...

17 comments:

Karina Tiemi said...

Q delícia! Apesar de que não curto carne não rsrs!!
É muito divertido sair com a turma do nihongô! Ainda mais se não podia falar nada de português rsrs!

E a caipirinha não perder o poder, incrível como os estrangeiros gostam!

Bjos

Claudio said...

Legal, o seu almoço, Karina.
Sabe, depois que abriram aquele raio do Omotesando Hills almoçar nesse restaurante ficou quase impossível. Logo na semana de inauguração do OH, as reservas para almoço, segundo o garçon, estavam completas para 2 semanas.
Sobre o goya, em português se chama "melão de São Caetano" e aparentemente é de origem africana.
Assim me disse o google...

Marcia said...

Por um acaso foi no Barbacoa? Nós temos um amigo japonês que morou dois anos aqui no Brasil e adorou a comida brasileira e inclusive guaraná. Ele diz que pra matar a vontade as vezes vai no Barbacoa. E sempre que a gente vai pra Tokyo a gente leva um estoque de guaraná pra ele :)

Anonymous said...

Karina, pelo que vi no restaurante, voces estavam mesmo se divertindo. Muito legal voce ter tido a ideia de "apresentar" a eles um pouco do Brasil. Beijos!

Raquel said...

A sua turma é muito simpática - e as professoras umas graças. Quem diria que ia baixar o gaúcho nelas, hein!

Mas elas não ficaram achando que a gente come churrasco todo dia não, né? Por que eu, besta que sou, um dia achei que japonês comia sushi e sashimi todo dia.

Faz isso foi há muiiiito tempo.

Adauto said...

Heh... Só pra fazer graça: "dia desses" fiz um belo dum churrasco aqui em casa: picanha e maminha SÓ no sal grosso, linguiça calabresa (da forte), espetos de coraçãozinho beeeem temperado, e coxinhas de frango (especialmente para as crianças). Vinagrete por conta da Dona Patroa. Cachaça Ypióca Ouro e muita cerveja (geladérrima)!
E aí? Deu saudades da terrinha?...

Paulo said...

Hum, deu até saudade de um bom churrasco...
Achei demais essa sua idéia! E mais legal ainda vocês fazerem esse intercâmbio gastronômico...hehehe

Mas agora, vamos querer posts de cada almoço desses... ;)

gustavo said...

belissima iniciativa e otimo post, karina.

agora esperaremos a historia desse seu atrasinho basico!

(de preferencia, sem tanto atraso).

beijos, gustavo.

marcia kawabe said...

Se você estiver usando o blogger pra postar fotos e estiver com problemas nele, tente fazer um cadastro nesse site que ele também hospeda fotos para blog.

http://www.photobucket. com. Assim que você fizer o upload da imagem é só copiar e colar a segunda linha
(TAG) no editor do blog e voilá! Aparece a imagem :)

Karuzo said...

Maneirissima a ideia do intercambio gastronomico, como disse o Paulo. Esta de parabens pela iniciativa de apresentar a nossa culinaria - ao menos uma parte dela - aos colegas estrangeiros. So espero que vc nao tenha "apresentado" o seu atraso como parte da "cultura brasileira" (risos)

Karina Almeida said...

PARA TODOS

finalmente, com a ajuda da gisele, descobri o problema do blog e coloquei as fotos. brigadissima gisele : )

ah, e depois do toque do caruso tirei o acento de "tempero". hihihi...


PARA KARINA
serio??? eu amoooooo carne!


PARA CLAUDIO
nossa, nao sabia que tava taao concorrido assim. a gente tem sorte entao. ufa!

e valeu pela dica sobre o (ou a?) goya ; )


PARA MARCIA
isso mesmo. o tal restaurante eh o barbacoa :D


PARA ANONIMO
voce eh a gisele ne? hihihi... da proxima vez, a gente vai juntas!


PARA RAQUEL
pois eh. eu falei que eu como carne todo dia (comia, no brasil). mas esqueci de explicar que nao, necessariamente, churrasco... e agora??


PARA ADAUTO
coracaozinho! nem me fale! eu adooooro! e dessa vez nao tinha no restaurante. ou serah que eles esqueceram da nossa mesa? snif, snif, snif...


PARA PAULO
ok! o proximo ja ta mais ou menos marcado. hihihi...


PARA GUSTAVO
gostou mesmo? que bom! ok. eu conto a historia do atraso. ou voce prefere as gafes na conversa durante o almoco? ai, ai...


PARA MARCIA 2
brigadissima! finalmente, consegui ; )


PARA KARUZO
ta bom, eu nao vou falar que atraso eh mania de brasileiro nao. ou serah que ja falei? hihihi...


bjinhos PARA TODOS!

Maíra said...

Que legal Karina!!! Mostra pros Japas as nossas maravilhas culinárias!!! =) Quem sabe eles se rendem a nossa comida, como nós nos rendemos às deles. Se bem que já soube que a comida japonesa que comemos no Brasil é um pouco diferente da original, é verdade?!
Bjos

Shizue said...

Oi, Karina!Que legal...eles gostaram da comida brasileira? Minha professoara de inglês é australiana e veio comer feijoada aqui em casa. Adorou, mas depois que descobriu que tinha orelha, rabo de porco e outras coisinhas a mais não quis mais comer.KKKKKKK. Já o meu professor de japones não tem esse problema, ele ja esta acostumado, é casado com uma brasileira. Tem muito tempo que vc está estudando nihongo? Já aprendeu bastante?
Bjs

Gisele Scantlebury said...

Kari, não precisava agradecer não. Você também me ensinou a ser "notificada" por email quando alguém deixa um recado no meu blog. Uma mão lava a outra. =)

Não entendi porque meu comentário entrou como "anônimo", mas, deve ter sido por conta dos problemas técnicos.. Com certeza, vamos marcar para ir juntas no Barbacoa.

Raquel said...

Uai, não tinha coraçãozinho na sua mesa? Na nossa eles levaram. Mas como disse o Paul, faltou o pão de queijo que eles sempre colocam na mesa pra gente besliscar...

Karina Almeida said...

PARA MAIRA
em sao paulo deve ter restaurantes japoneses mais proximos da "realidade", mas em belo horizonte, apesar da comida japonesa "estar na moda", os cardapios que conheci eram pauperrimos!

mas eu achava os sushis deliciosos. ateh conhecer os daqui : )


PARA SHIZUE
bem-vinda ao meu japao! nossa, eu falei que feijoada era com carne de porco mas nao entrei em detalhes pra nao assustar o pessoal. hihihi...

japones? menina, to na luta faz tempo! da uma lida nesse post e voce vai ver como eu sofro :P

http://meujapao.blogspot.com/2006/09/t-tentando.html


PARA GISELE
demorei tanto a responder o comentario que a gente ja marcou e ja foi ao barbacoa juntas ne? e no de odaiba, que eh mais lindo ainda :D


PARA RAQUEL
menina, ontem eu falei com o garcom brasileiro que serviu a nossa mesa no domingo. eu nao vi coracao! ele falou: tem que pedir pra mim! pelo visto, eles esqueceram mesmo da nossa mesa : (

ah, qto ao pao-de-queijo, apesar de ser mineira, nao ligo nao. eu sou daquelas que, na churrascaria, so come churrasco. e mussarela e abacaxi. mais nada :P


bjinhos, meninas : )

Anonymous said...

engracado,tempos atras fui forcada a fazer um churasco com todas as letras,regado a caipirinha e outras bebidas so nossa,,,para uns americanos amigos,porque achavam que so comiamos "FEIJAO COM ARROZ" hoje ja pensam diferente inclusive que no Brasil nao existe so INDIOS.um abraco