Monday, March 20, 2006

O Japão da Mafalda é assim...


A Mafalda, na verdade, se chama Yoko Fujino. E já que ela mesma se apresentou, um dia desses, como japonesa falsificada, eu acho que posso chamá-la de a japonesa do Paraguai que trabalha comigo. Deixa eu explicar melhor: ela é japonesa. Não tem carteira de estrangeiro, nem precisa de visto para morar aqui. Mas foi criada no Brasil e voltou pra cá depois de adulta. Ela mesma diz que a terra dela é Jundiaí...

Peço desculpas por ter adiado a publicação do Japão da Mafalda. Foi por justa causa. Eu acho. Na semana que vem, acho que teremos O Japão da Angelica é assim... Ainda tenho que confirmar a data com ela. Que chique, o Meu Japão tá ficando internacional! Depois de uma japonesa, uma peruana. Mas não se preocupem, os textos serão sempre em português!

O Japão da Mafalda:

De homens japoneses, portas, bundas e ...

...e o tchau eterno que a Mafalda dá à possibilidade de ter um namorado japonês. Calma. Ainda não dispensei o meu namorado, que é natural de Kyoto. E Kyoto fica no Japão. Mas explico isso depois.

Com certeza os homens japoneses que ficarem sabendo desse texto (pois poucos japoneses poderão ler) vão fugir de mim como o diabo foge da cruz. Admito que sou exigente com os homens. E acho legal quando o homem consegue responder à altura (não que eu queira sair batendo e receber pancada de volta). Se hoje nós mulheres conseguimos conciliar trabalho, casa e lazer, porque os homens não podem fazer o mesmo? Se nós aprendemos a paquerar, porque os homens também não podem aprender a seduzir?

E o homem japonês, entre todos os que pude observar, é o que menos responde às nossas “provocações”. Quando percebem que a mulher é mais ativa, ou fogem ou ficam confortavelmente passivos. Deixam tudo por conta da mulher. E a mulher japonesa, quando jovem, entende isso como prova de amor. Ela só percebe o erro depois que se casa. Quando percebe a covardia do homem antes que seja tarde, ou passa a namorar homens de outras nacionalidades ou simplesmente abdicam do casamento.

Bom, aí começam a restar homens, que não conseguindo casar e gerar um herdeiro, opta por importar noivas! Mas se eles não conseguem se entender com as mulheres japonesas, o que se dizer das mulheres que vieram de outras culturas e não falam o japonês. Acho que o crime de Shiga, na qual uma chinesa casada com um japonês matou os coleguinhas da filha, tardou a acontecer. Poderia ter acontecido muito antes. E dependendo da reação do marido à dificuldade de adaptação da mulher o crime podia ter sido evitado.

Nesse ponto do texto, percebo uma coisa muito importante. Não é que os homens japoneses não respondem à altura. Eles simplesmente não ouvem nem vêem as mulheres como seres humanos. Para eles as mulheres são mães (que cuidam da casa), chocadeiras (que dão filhos) ou bonecas infláveis, disponível para a descarga de energia sexual. Aliás, os japoneses chamam as meninas que se relacionam com muitos homens (mesmo que seja um namorado de cada vez) de “mictório público”!

Apenas para ter uma idéia. Por muito tempo o governo japonês proibiu a pílula anticoncepcional. Ela era liberada apenas em alguns casos, para tratamento hormonal, com receita médica. E não era vendida em farmácia, a mulher tinha que pegar no hospital! O governo alegava falta de dados que assegurassem a segurança de seu uso. Mas quando o Viagra foi lançado, o Ministério da Saúde liberou o remédio para tratamento da impotência rapidinho. É claro que as mulheres reclamaram. E assim a pílula foi liberada para uso anticoncepcional, há menos de dez anos!

E nessa semana, quando estava lendo a revista Aera, uma revista informativa semanal dirigida principalmente aos homens, uma publicidade me deixou chocada. Uma empresa anunciava com todo orgulho que lançava, pela primeira vez no Japão, a camisinha com espermicida! Dá para imaginar então para que a camisinha servia no Japão. Era para o homem não pegar doença sexual, e não para que a mulher não engravidasse...

Obviamente existem homens japoneses bacanas (para deixar os meus colegas japoneses tranqüilos). Mas ainda considero exceção. E apresento dois deles.

Um deles é o Hiroshi (foto), meu namorado. Não porque ele seja namorado. Mas ele foi professor de “Gender Studies” por muito tempo, e como cresceu sem pai e cresceu vendo a mãe trabalhar e se virar, acha natural que a mulher seja forte. Bom, mesmo assim ele fica assustado (ainda!) com minhas reações.

Outro é o cantor Yasukatsu Oshima, de Okinawa. Além de ser um ótimo cantor, ele é super gente fina pessoalmente. Um dia, ainda no Brasil, pensei que tinha perdido o anel que ganhei do Hiroshi. Fiquei super triste, mas todas as pessoas que participavam do mesmo almoço nem deram bola. Mas Oshima-san chegou perto de mim, colocou a mão sobre meu ombro e falou: “não se preocupe. Você deve ter esquecido na sua casa. E mesmo que tiver perdido, o seu namorado vai entender”.

O que estes dois têm em comum? Hiroshi é de Kyoto, e Oshima é de Okinawa. São regiões que passaram por invasões de vários povos, em várias épocas. Em condições assim, homens adultos são mortos, e os meninos crescem vendo a mãe lutando para sobreviver. E aprendem a respeitas as mulheres fortes, com iniciativa. Á primeira vista eles parecem passivos, mas na hora H, se precisar morrer para defender a pessoa amada eles morrem de peito aberto.

Por isso, meninas, recomendo: se tiverem que optar por um homem japonês, verifiquem a procedência. E vejam se eles não são bundões.

O meu? Bom, a primeira coisa que reparei nele é a bunda. E fica lindo de calça jeans.

7 comments:

Karina Almeida said...

vou defender os japoneses. pelo pouco que sei, acho que por uma questão cultural, os japoneses - não só os homens, mas as mulheres também - não são tão afetivos quanto os brasileiros, por exemplo, que adoram abraçar, beijar e dizer "eu te amo".

também acho que os japoneses, por uma questão cultural, são machistas sim. mas tenho impressão de que os tempos mudaram. os jovens parecem mais carinhosos (vejo muitos casais de mãos dadas ou abraçados nas ruas) e acho que em vez de dizer "eu te amo" eles têm outras formas de demonstrar carinho e amor. ai, empolguei... deixa eu parar por aqui.

só mais uma coisinha: gosto dos japoneses, porque acho um charme esse jeitinho tímido deles. e eles me parecem mais confiáveis. não acho que tenham aquela "malandragem" dos brasileiros. sem contar, que acho lindo os olhos puxadinhos e o cabelo arrepiado!

menos, karina. menos! tá, eu sei que empolguei. só queria deixar o meu ponto de vista :)

Angelica said...

A mi los japoneses me sacaron de cuadro desde el inicio por su indiferencia en el trato con la gente. Pero luego entendi q no es del todo asi, es parte de sus propios codigos de conducta y aunque me sigan intrigando aprendi a ser tolerante.

Ahora hasta considero que si bien la mayoria de ellos me da dolor de cabeza hay algunos que pueden ser lindos (claro, solo algunos).

Es decir, no creo q lleguen a ser caballeros y "charmosos" pero aquellos que saben manejar el misterio q envuelven (por ser tan distintos) con el respeto a una chica ya tienen mucho a su favor.

Bueno tambien ayuda tener una linda sonrisa... como el mozo del bar colirio de los brazos marcaditos...

En realidad, no creo q los japoneses sean tan terribles, machistas hay en todos lados, pero si creo que reprimen muchas acciones y por eso no es raro ver tanto loco suelto.

marcelo paolinelli-toronto-canada said...

Ola, fui indicado pela minha amiga e vizinha de baixo (dos States), mas tambem la de Belo, a Naomi, para ler seu blog. Sou tambem como vcs duas, jornalista e atualmente moro em Toronto, Canada. Primeiro, achei muito sensivel e charmoso o texto que a Naomi te enviou. E bem interessante seu blog, sua percepcao do pais que escolheu para viver (penso). Tambem vou dar meu pitaco: alem do contato que passei a ter com a "fake japonese" Naomi (como ela mesma, bem-humorada, diz), foi so aqui em Toronto que me aproximei do Japao. Engracado, ne nao? Mas verdadeiro. Explico: meu melhor amigo aqui e o Fabiano, um brasileiro cujos pais (Odilon e Estela) moram ai no Japao. Ele tambem ja morou alguns anos ai. A mae e descendente de japoneses, acho que segunda geracao. E ja aprendi muito com o Fabiano e os pais dele em questoes como respeito ao proximo, valor da honestidade e do carater, coisas do tipo. Sei muito bem que e bobagem dividir o mundo entre "bonzinhos" e "malvados", mas alguns aspectos culturais realmente influenciam a forma de ser das pessoas, e esse Japao que conheci mais a fundo me impressionou muito bem. Ainda mais que tambem tem tempero brazuca, a combinacao e legal. Mas conheci japoneses "puros" tambem, e a impressao nao foi menos agradavel. Como Toronto e realmente multicultural, claro que varios deles estao por aqui. Ja tive jantares tipicos, convites para ir ao Japao e espero um dia poder ver de perto essa rica cultura e esse povo tao interessante. Gente e gente, e ha gente boa e gente ma (e varias mais ou menos, ne?). Mas as "gentes" do meu Japao sao umas gracas, ah isso sao!
um abraco para voce,
Marcelo Paolinelli

Anonymous said...

Oi!!!nossa achei bem interessante o que vc diz dos japoneses e é a pura verdade,concordo com a Karina eles mudaram muito.
Bem no meu caso tenho um japones que trabalha comigo que é bem timido as vezes mais tem horas que não reconheço joga muitas indiretas eu fico na minha,mais confesso que gosto.
"Será que ele tá afim?"

Anonymous said...

Estou namorando um japonês e queria dar minha opinião. Nunca me realcionei com um homem mais carinhoso em toda minha vida. Temos muitas diferenças, dentre elas, a de estatura, mas até o momento nada foi capaz de superar o jeito adequado para cada momento, ora extremamente brincalhão e amigo, ora deliciosamente amante sensual. Mas como nada é perfeito, deixo também minha crítica, essa pessoa sensível pode se tornar muito indiferente quando se irrita e isso mahuca muito.

Anonymous said...

Estou namorando um japones nunca conheci um homem tão sensivel , inteligente, amoroso...Experimentem! eu recomendo! :)Brincadeiras a parte vamos nos casar.. beijos a todos e fiquem em paz.

Bruna Karine said...

ola pessoal,atualmente eu moro no Japao.
eu tive um professor nihon jin que morou na America Latina por 8 anos, e um dia ele me explicou o seguinte: " os japoneses desde crianca aprendem que o homem tem que ser livre e a mulher submissa, alem do que um japones por mais apaixonado que esteja, nunca vai demonstrar isso sem vergonha ou com 100% de romantismo. e se ver que o relacionamento nao tera bons frutos, por mais que ele ame a pessoa ele simplesmente se afasta, por mais que doa, ele vai saber lidar com a situacao. Por isso, eu que sou nihon jin, prefiro que os meus filhos se casem com alguem latino, porque eu sei o sofrimento que um nihon jin pode causar por coisas tolas.". Em outras palavras meu professor quis dizer que japoneses sao sim, uns bundao, folgados que acham que relacionamentos tem que ser perfeitos, ou eles pulam fora e te tratam como se voce nunca tivesse existido na vida dele.
Eu sou casada com nissei, mas como ele cresceu no Brasil, tem apenas a aparencia e pequenos costumes japoneses.
obrigada pelo post...amei!